Entrevistas


Entrevistas ZOV

Entrevista a um Locutor / Actriz

01.12.2017

Mário Bomba

Como chegaste ao ilustre mundo das locuções?
Depois de estudar teatro no Chapitô (e mais tarde haveria de completar em Nova York e na Faculdade de Letras), entrei no mundo das dobragens quase por acidente. Fui trabalhando e apaixonando-me progressivamente até o fazer em vários sítios. Daí às primeiras experiências em locução de publicidade foi um saltinho. Julgo que dos primeiros spots que fiz terá sido para uma marca de cerveja, não sei se poderei dizer marcas (Cruzcampo) ;)
És conhecido por ter que género de voz?
Esganiçada! Ahaha... Nasalada aguda, mas também me dizem que tenho uma médios algo poderosos...
Que género ou estilo de locução gostarias ainda de melhorar?
Do ponto de vista comercial, voz de companhia. Só a faço quando querem voz de companhia "jovem", não o faço muito dentro dos graves, que é o caso da grande maioria das necessidades de uma voz de companhia.
Qualquer informação sobre ti que poucas pessoas tenham conhecimento?
Por exemplo, que comecei no cinema. "Quando Troveja" do Manuel Mozos e depois "Capitães de Abril" da Maria de Medeiros.
O teu melhor momento de sempre em estudio até hoje?
Um spot para uma marca conhecida de apoio e assistência automóvel com uma colega mais "madura". Depois de algum tempo todo e qualquer gelo tinha sido quebrado e poderia ter descambado para algo hard core. Mas mantive a compostura ;)
O que representa a Zov?
Oportunidade para descobrir talentos. Acesso a possibilidades. Hipótese de aumentar o potencial quer do cliente encontrar a voz ideal, quer do locutor mostrar como o seu registo pode literalmente ajudar a veicular o produto ao grande público.
Melhor trabalho no mundo, obviamente depois de “locutor”?
Adorava cozinhar profissionalmente. Talvez um dia :)
Qual o melhor meio de comunicação? Voz ou imagem? Porquê?
Diz-se que uma imagem vale por mil palavras. Mas uma voz quente, colocada, aberta, ou granulada, pode transportar para locais, tempos, ou remeter para memórias e despertar ideias.
Quando não estou a gravar a minha voz, estou a ...?
Ensaiar. Dirigir outras vozes. Dar formação, ensinar, que adoro. Fora do trabalho, ler. Cinema. Ou cada vez mais viajar, que é uma forma de arte pouco reconhecida :)
O que é para ti a Voz?
Veículo. Se os olhos transportam a alma, a voz aquece essa ideia. Traduz amor ou raiva, carinho ou indiferença. É a intérprete da alma.
O que te faz Feliz?
Emocionar os outros. Cativar.
Qual o teu maior medo?
Deixar de sentir.
Um defeito e uma qualidade?
O mesmo! A entrega. Se for a causas viáveis, resulta em sucesso. Se for uma causa perdida, pode ser um pouco um choque.
Se pudesses voltar atrás, o que mudarias?
Começar mais cedo. Andei a deambular na adolescência :)
Como descreves a tua voz?
Algo quente, nasalada, com traços de Comédia e mais jovem do que o seu dono :)
Tens algum ícon de voz?
Uma das pessoas com quem comecei em locuções de publicidade. É um mentor nessa área e um amigo, Carlos Duarte.
Lembras-te da tua primeira locução?
Como referi, julgo ter sido à marca de cerveja Cruzcampo.
Na área da voz, que tipo de trabalhos mais gostas de fazer?
Adoro dobragens, mas quando há liberdade criativa sou fascinado por locução de Pub. Associar a versatilidade e o Humor à marca.
Que tipo de cuidados tens com a voz?
Muita água bebida, tentar (tentar!) evitar doces e gorduras antes de trabalhar, poupar fora do trabalho e quando possível, respeitar o número de horas de sono
Quem/o que te inspira?
Boas histórias. Simples, contudo originais e intensas. Inteligência narrativa.
Qual foi a coisa mais bizarra que te aconteceu em estúdio?
Julgo que é o mesmo que na pergunta número 5.
Qual é o teu som preferido?
Água. Sempre água. Riacho a correr, ondas do mar a rebentar.
Filme preferido?
-
Qual foi o melhor conselho que já te deram?
Não há nada de errado em fazer o que se ama. Se se ama o que se faz, seremos forçosamente bons a fazê-lo.
Tens alguma característica que as pessoas ficariam supresas de saber?
Muito emocional. Sou gajo para chorar em filmes ou peças de teatro. Em miúdo saía com os meus pais da sala de cinema apático e mudado se fosse um filme intenso. Adoro uma ideia romântica.